O Axé, a câmera e a memória: conheça Victor Talisson

Victor Talisson é fotógrafo, cineasta, produtor cultural e artesão, nascido e atuante em Pernambuco. Homem de Axé, dedica sua trajetória à valorização e preservação da memória afro-indígena e periférica. Desde 2019, sua fotografia tem como missão retratar expressões culturais, artísticas e litúrgicas com sensibilidade e respeito, estimulando o fortalecimento de práticas e tecnologias ancestrais que resistem no presente.

Sua jornada visual começou de forma afetiva, marcada pelo encontro com o educador e cineasta Adriano Lima, que passou a compartilhar com Victor sua experiência e conhecimentos no campo da imagem. A partir dessa relação de aprendizado, Victor construiu uma base sólida e, desde 2022, desenvolve seus próprios projetos de forma independente e coletiva — sempre com o olhar guiado por luz, sombra e afeto.

Onje Iná (crédito: Victor Talisson | @victortalisson.fotos)

Com trabalhos expostos em mostras virtuais e físicas como Afrografia (Museu da Abolição, 2023) e Folhas Encantadas da Jurema Sagrada (2022 a 2025), sua produção está diretamente conectada a temas como igualdade racial, valorização de expressões afroindígenas, preservação ambiental e circulação da economia criativa local. Victor acredita que a fotografia pode (e deve) ser usada como uma ferramenta de resistência:

“Hoje, com essa ferramenta, é possível registrar toda a beleza e intelectualidade de um povo. […] Por isso, opto por fotografar pessoas negras e indígenas.”

Para ele, estar inserido em um território como o bairro de Paratibe, cuja própria toponímia carrega marcas da ancestralidade indígena, é uma fonte contínua de inspiração. Ali, sua prática é nutrida por narrativas que resistem ao apagamento colonial, em imagens que celebram a vida, a espiritualidade e o cotidiano dos seus.

Victor também integra coletivos de fotografia etnográfica periférica, espaços que considera essenciais para garantir a continuidade, a formação e a estruturação da arte negra e indígena no país. Em um mercado ainda desigual e excludente, ele denuncia:

“O fotógrafo negro periférico, para conseguir o primeiro equipamento, depende de ajuda ou precisa adiar seus sonhos.”

Mesmo com os desafios, sua fotografia segue como um instrumento de vida, cultura e memória.

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📸 Conheça mais do trabalho de Victor Talisson no Instagram: @victortalisson.fotos


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