Paulo Henrique é fotógrafo autoral e documental, negro, homossexual e amazônida. Natural de Cruzeiro do Sul, Acre, território que carrega o nome de “coração da floresta amazônica”, Paulo Henrique hoje vive e trabalha na mesma cidade, onde traduz em imagens a vitalidade, a cultura e os desafios das comunidades tradicionais.
Seu envolvimento com a fotografia começou de forma inesperada em 2022, durante o mestrado em Ciências Ambientais. Incentivado pela urgência de contar histórias agroflorestais, ele capturou seus primeiros cliques com um iPhone X. Em fevereiro de 2024, essas imagens inauguraram sua primeira exposição em uma cafeteria local, e, já no mês seguinte, ele teve a confirmação de seu caminho: após um trabalho espiritual com ayahuasca, decidiu dedicar a vida à fotografia. Com uma Nikon D90 emprestada pelos irmãos de seu terreiro, mergulhou em um aprendizado autodidata que o levou a vencer, em julho de 2024, o Prêmio Fotolivro Artesanal do Festival PhotoThings. Ainda naquele ano, conquistou o Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia, o que possibilitou a aquisição de sua primeira câmera profissional em janeiro de 2025.
A fotografia de Paulo Henrique nasce da escuta atenta aos quintais agroflorestais, aos rios barrentos e aos rituais que pulsam na Amazônia acreana. Suas imagens combinam denúncia política – contra o apagamento geográfico e racial – com um olhar poético sobre as memórias coletivas. “Fotografar é escrever com a luz aquilo que as palavras não alcançam”, diz.

Inspirado pela força de colegas amazônidas como Luiz Braga e Raphael Alves, e pelos conceitos de cuidado e ancestralidade de Ailton Krenak e Bell Hooks, ele constrói narrativas visuais que afirmam a existência e a resistência dos povos da floresta. Paulo Henrique também integra o Coletivo Rua Brasil, onde reforça a importância da atuação coletiva para amplificar vozes negras na fotografia brasileira.
Sua trajetória reafirma que o Acre existe e que a Amazônia é feita por quem a vive. É na justaposição de memória, afeto e denúncia que Paulo Henrique escreve seu legado como um convite para olharmos a floresta e seus habitantes com o respeito e a sensibilidade que merecem.
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