A fotografia que surgiu nos trilhos: Conheça o trabalho de Larissa Cruz.

Mulher, preta, sapatão, professora. Desde 1995, sua existência se desenha entre os ônibus e trens que cortam as cidades, em uma busca por enxergar, no trajeto entre a sua casa e o seu destino final, outros mundos além do seu. Para Larissa fotografar é sinônimo de liberdade, suas lentes eternizam um cotidiano que muitos preferem ignorar, mas que ela faz questão de lembrar e registrar.


“Busco abordar a questão periférica e suas demandas através do meu olhar “fora do enquadro padrão”, fotografando o movimento, as ruas, levando sempre à reflexão de que todo lugar que ocupamos ou passamos compõe um pouco de nós. Olho para a paisagem com o questionamento do que ela faz eu sentir. Normalmente, os sentimentos que as imagens abordam são aqueles que não nos permitimos transbordar.”


Com um olhar “fora do enquadro padrão”, Larissa tensiona a paisagem urbana e a vivência periférica. Suas imagens de movimento e de rua buscam resgatar a dignidade do trabalhador, reivindicando que o corpo que habita a periferia não serve apenas para produzir e voltar para casa cansado. 


Como mulher, negra e lésbica, o caminhar de Larissa moldou sua perspectiva de mundo. A questão racial é algo presente no seu olhar porque sempre envolve a permissão de buscar algo que ela acredita, que ainda está em algum lugar de si mesma.

Encontrando beleza e poesia na pressa dos vagões, Larissa usa a fotografia para reivindicar o direito ao afeto, ao descanso e à preservação da memória de seu povo.

📸 Conheça mais do trabalho de Larissa no Instagram: @visaopreta

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