Vilma Neres é baiana de Ipirá, cresceu e, atualmente, vive no Beirú, bairro popular de Salvador. Por oito anos viveu em outros três estados do sudeste brasileiro, entre São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. É técnica em Fotografia pelo Liceu de Artes e Ofícios da Bahia (2004), bacharel em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pelo Centro Universitário Jorge Amado (2009). Em 2016, tornou-se mestra em Relações Étnico-Raciais, com ênfase em “Campo Artístico e Construção de Etnicidades”, pelo Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet/RJ). Cuja dissertação buscou refletir as trajetórias sociais da fotógrafa baiana Lita Cerqueira e do fotógrafo mineiro Januário Garcia, ambos radicados na cidade do Rio de Janeiro. Sua trajetória no campo da fotografia é resultante de um trauma vivenciado ainda na infância, quando foi negada o direito à imagem. Apesar disso, esse episódio foi ressignificado de uma maneira positiva, porque, hoje, ela busca viver da escrita com a luz como uma guardião de memórias afetivas, além da aspiração de permanecer no campo da pesquisa acadêmica.

Vilma enxerga que a fotografia documental e familiar não é apenas estética, mas é uma cura pessoal e coletiva para um apagamento histórico que atinge a população negra e periférica.
“A questão racial toca e influencia profundamente na minha prática fotográfica, porque eu não tive a oportunidade de tornar as minhas memórias tangíveis.”⠀


‘Eu me inspiro na minha própria história de vida. Porque eu sou uma mulher adulta, com 36 anos, que não tive a materialização em imagens de minhas memórias da infância até a adolescência. Mas eu me inspiro em livros, filmes e nos percursos de vida de fotógrafas e de fotógrafos, especialmente negras e negros que vieram antes de mim, a exemplo de Seydou Keita, José Ezelino, Gordon Parks, Walter Firmo, Deborah Willis, Edson Porto (Popó), Irene Santos…’


Vilma Neres mostra que o direito à memória é um direito humano e que cada família negra merece ter sua história eternizada.
📸 Conheça mais do trabalho de Vilma no Instagram: @vilma8neres
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