Fotógrafa documental e retratista, a maranhense Ana Paula Moreira Soeiro faz da sua arte uma celebração das raízes que a constituem. Natural de Viana, município da Baixada Maranhense, Ana Paula cresceu em um lugar cujos saberes se entrelaçam na fé católica, no Tambor de Mina, nas festividades populares e no ecossistema único da Amazônia Maranhense. Com um olhar dedicado às manifestações culturais, às religiões de matriz africana e às formas de organização social do seu povo, Ana coloca em sua arte a memória, exaltação da beleza das mulheres e crianças pretas e a relação sagrada entre o homem e a natureza.

“A fotografia para mim está estritamente relacionada ao meu território, nos costumes tradicionais, nas festividades, no cotidiano de nós, povos pretos do maranhão em especial da Amazônia Maranhense. Minha fotografia celebra e honra a minha ancestralidade”, diz a fotógrafa.


“Retomar os espaços que nos foram tirados, atuarmos como protagonistas das nossas histórias, expandir as narrativas construídas por pessoas pretas, coletivamente, atuando nos seus territórios é uma dessas formas de atuação para que tenhamos outras possibilidades na cena da fotografia, que é parte de um sistema embranquecido”, reflete Ana Paula.


Ana Paula Moreira Soeiro com sua fotografia documental prova que fotografar o próprio chão é preservar a memória e devolver o afeto à comunidade.
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