Fotógrafo, publicitário e pesquisador audiovisual, o maranhense Pedro Henrique faz da imagem um instrumento de desmantelamento de estigmas e de recuperação histórica. Nascido em São Luís e com passagens por diversos estados do Nordeste, como Pernambuco, Bahia, Alagoas e Paraíba, Pedro dedica sua produção documental, de rua e de eventos culturais a valorizar estéticas enegrecidas e modos autênticos de existir no mundo. Registrando expressividades da cultura popular como o Tambor de Crioula, o Maracatu, o Bumba Meu Boi e o Cacuriá, o artista recusa narrativas coloniais para colocar a dignidade, a beleza e a altivez do povo negro no centro do enquadramento.

“Minha relação com a fotografia teve início cedo, durante o curso técnico em Design Gráfico no Instituto Federal do Maranhão. Entretanto, devido à falta de condições financeiras para comprar câmeras (que na época eram digitais e nem mesmo profissionais), acabei deixando a fotografia de lado por um tempo. Mais tarde, encontrei novamente a fotografia em meu curso de Publicidade durante a graduação. Somente quase 11 anos depois, quando uma amiga trouxe uma câmera da África para mim por um preço mais acessível, é que pude retomar a prática da fotografia.”


“No entanto, no início, minhas fotos não refletiam as vivências que atravessam minha identidade racializada. Foi somente ao estudar a negritude na produção de videoclipes em São Luís que percebi minha condição como sujeito racializado e como isso deveria ser refletido em meus processos fotográficos. Assim, minha história na fotografia se desenvolveu.”
“É o olhar, enquanto movimento subversivo, que eu abraço como forma de recuperar os corpos e, consequentemente, as histórias que eles carregam, muitas vezes ocluídas pelo racismo que baliza a vida e o cotidiano.”

Pedro Henrique mostra a importância de reencontrar a própria negritude e como a sua arte é afetada por isso.
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