Fotógrafo, jornalista, escritor, produtor e pesquisador da imagem, Acácio Morais nasceu em Jardim, no sertão do Cariri cearense, e faz do seu trabalho um ponto de encontro entre a técnica e a escuta sensível. Entre o fotojornalismo, a fotografia documental, artística, publicitária e de rua, Acácio dedica-se a investigar memórias, territórios e narrativas atravessadas pelo tempo. Com um olhar treinado para desdobrar camadas de sentido, o artista cria imagens que contam histórias enraizadas na cultura e na identidade do povo cearense.

“Sempre gostei de ver a vida por trás da lente. Quando mais novo amava fotografar pássaros, árvores, flores, tudo aquilo que a natureza me disponibiliza. E assim fui testando e amadurecendo o meu olhar. Minha primeira relação, digamos “profissional”, foi em um grupo seleto de fotógrafos que acabei fazendo parte, por volta de 2015 por aí. Chamava-se Picphore, e todos eram/são fotógrafos caririenses espalhados pelo cariri. Nos reunimos virtualmente num grupo de WhatsApp onde a cada semana um integrante era escolhido para dar o tema da semana para que todos fizessem a sua foto baseado naquele tema. Então, foi aí que surgiu minha paixão pela fotografia still-life, ou fotografia de produto. A partir daí não parei e ganhei a primeira câmera que está comigo até hoje. Nesse sentido, compreendo que a fotografia é como uma verdadeira possibilidade de existência de algo, onde este algo possa ser tanto projetado como instantaneamente registrado. É por meio da fotografia que posso reimaginar, recriar, reusar e ressentir sempre que posso.”


“Busco contar histórias que ainda estão soterradas por camadas de silêncio ou por uma abundância de informações que distorcem ou apagam certas vivências. No projeto Cativo, por exemplo, ao tratar de uma Barbalha decolonial, tento construir um processo imersivo que envolve escuta, afeto e uma atenção profunda à história do nosso povo e do nosso território. Quando estou envolto com temas que me atravessam diretamente, meu compromisso se intensifica, tanto com a narrativa quanto com a forma, para que cada imagem possa fazer jus à potência daquilo que está sendo contado.”


Acácio Morais segue demonstrando que o ato de registrar a vida através da fotografia, é uma forma de reescrever a história com poesia.
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