Fotografar a cidade como gesto de leitura, crítica e resistência: conheça Guto

Guto, nome artístico de Gustavo Barbosa, é estudante de Arquitetura e Urbanismo e fotógrafo desde 2022. Sua prática nasce do deslocamento: entre cidades, cursos, amizades e narrativas. Foi no retorno a São Paulo, após trancar Economia na Universidade Federal de Viçosa, que a fotografia surgiu como necessidade, primeiro como forma de manter vínculos, depois como ferramenta de leitura crítica da cidade.

Ao ingressar na Arquitetura e Urbanismo, sua fotografia ganha novas camadas. Escala, monumentalidade, vazios urbanos, contrastes entre indivíduo e estrutura passam a orientar o olhar. A imagem deixa de ser apenas memória ou denúncia e se afirma como método de investigação: uma forma de revelar o que o urbanismo hegemônico tenta ocultar.

“Compreendo a fotografia como uma linguagem capaz de revelar aquilo que o planejamento urbano tenta esconder. É por meio da imagem que consigo pensar o espaço, questionar narrativas e dar visibilidade a quem habita as margens.”

A questão racial atravessa sua prática de forma direta. Enquanto homem preto com uma câmera, ocupar o espaço urbano é, por si só, um gesto político.

“A forma como caminho, observo e sou observado influencia diretamente o que vejo e como escolho fotografar. Busco devolver complexidade, dignidade e centralidade a vidas que a lógica urbana tenta reduzir a fluxo ou ruído.”

Mesmo não integrando atualmente um coletivo, Guto reconhece a centralidade das redes e ações coletivas para a fotografia negra brasileira, entendendo seu próprio percurso como continuidade de caminhos abertos por outros fotógrafos e artistas negros antes dele.

Sua produção revela uma fotografia que não apenas observa a cidade, mas a confronta, uma prática que tensiona arquitetura, política e raça, e devolve humanidade aos espaços que insistem em esquecer quem os habita.

📸 Conheça mais do trabalho de Guto no Instagram: @gutojpg


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