Imagem, território e resistência em movimento: conheça PH Mota

Nascido em Salvador (BA) e criado em Pernambués, bairro com a maior população negra da cidade, PH Mota é artista visual, fotógrafo, filmmaker, roteirista e produtor cultural. Sua trajetória nasce no cruzamento entre técnica, afeto e pertencimento: a fotografia, para ele, é linguagem, memória e instrumento político de visibilização das narrativas negras e periféricas.

Autodidata, PH iniciou sua relação com a fotografia por influência do irmão, que estudava cinema na UFBA. Entre celulares e câmeras emprestadas, foi construindo sua própria linguagem, marcada pela escuta, pela estética afro-diaspórica e pela força das comunidades urbanas. Em 2018, começou a atuar profissionalmente como fotógrafo oficial do coletivo Hip Hop Pernambués, e desde então vem transformando sua prática em um gesto contínuo de resistência cultural e educação estética.

“A fotografia é uma extensão da minha forma de compreender o mundo, uma maneira de registrar, contar histórias e dar voz a narrativas muitas vezes invisibilizadas. Cada foto é um ato de resistência, representação e criação de novas perspectivas.”

Créditos: PH Mota | @_phmota

Com uma pesquisa que articula imagem, som e território, PH Mota dedica-se a retratar identidades afro-brasileiras, quilombos urbanos, manifestações culturais e experiências periféricas, construindo um acervo visual que afirma a potência e a complexidade da vida negra nas cidades. Suas exposições, como Arquivo Transacional Negro, Universo de Olhares e A Bahia, o Pico do Território Musical, refletem o compromisso com a ancestralidade e com a democratização do acesso à imagem.

Seu trabalho não se limita ao registro: ele também atua como oficineiro e educador, promovendo oficinas de fotografia e audiovisual em comunidades de Salvador, incentivando jovens negros a contarem suas próprias histórias. Em 2025, participou do curso Criativos da Favela, ampliando suas experimentações com audiovisual e inteligência artificial, e dirigiu o curta-metragem OJÚ OBA – Os Olhos da Esperança, realizado entre Salvador e Luanda (Angola), conectando Brasil e África em um diálogo estético e histórico.

“A questão racial é central na minha produção. Busco valorizar narrativas negras, corpos periféricos e memórias afro-diaspóricas, questionando estereótipos e fortalecendo a representatividade. A fotografia, para mim, é uma ferramenta de consciência social e política.”

O olhar de PH Mota é o de quem faz da imagem um campo de disputa e de sonho: cada retrato, cada enquadramento e cada montagem são formas de afirmar que as periferias produzem arte, pensamento e futuro.

📸 Conheça mais do trabalho de PH Mota no Instagram: @_phmota


Sobre o projeto

O Projeto Olhos Negros mapeia fotógrafos/as/es negros/as/es de todo o Brasil, reunindo dados, trajetórias e poéticas visuais que revelam a diversidade da produção fotográfica contemporânea.
Para participar do mapeamento, acesse o formulário: https://forms.gle/4pqT9wFEav9QchLt6

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