Nascido em Pernambuco e formado em Comunicação Social pela UniSant’Anna e em Fotografia pelo Senac São Paulo, Jon Johnson encontrou na fotografia uma forma de escuta e afirmação. Sua trajetória começa no interior pernambucano, em uma família que, como tantas outras, teve pouco acesso à cultura e às artes, um contexto onde imaginar o ofício de fotógrafo parecia um sonho distante.
Mas o acaso o aproximou das lentes. Em 2009, Jon ganhou sua primeira câmera e, movido pelo desejo de registrar momentos, começou a enxergar a fotografia como algo maior: uma maneira de olhar o mundo e narrar histórias. Poucos anos depois, já em São Paulo, iniciou seus estudos na área e compreendeu que a fotografia podia ser muito mais do que estética, podia ser ferramenta de afeto, presença e transformação.

Sua relação com a imagem é marcada por profundidade e propósito. “A fotografia, para mim, vai muito além da estética: é uma ferramenta de escuta, presença e afeto”, afirma. Essa concepção aparece com força em seu primeiro grande projeto autoral, “Imaculados”, uma série que coloca em posição de adoração o que a sociedade tende a marginalizar. O trabalho transforma corpos, expressões e vivências dissidentes em símbolos de força e beleza, fazendo da imagem um espaço de reverência e resistência.
Jon utiliza a fotografia para tensionar padrões normativos de beleza, masculinidade, sexualidade e pertencimento, retratando corpos dissidentes, afetos negros e expressões LGBTQIAPN+ com sensibilidade e potência. Seu olhar valoriza o corpo como linguagem, um território de memória e identidade, e explora o encontro entre o real e o simbólico.
Ao longo de sua trajetória, já realizou trabalhos para o São Paulo Fashion Week (edições N55 e N56) e segue desenvolvendo ensaios autorais, registros de Carnaval e projetos de moda com uma assinatura única: imagens marcadas por autenticidade, presença e emoção.

Para Jon, cada clique é um gesto de afirmação. Ser fotógrafo negro, nordestino e gay é, por si só, uma forma de ocupar espaços historicamente negados. “Cada registro é um gesto de afirmação, é sobre dizer: nós somos arte, somos história, somos imagem que permanece”, resume.
Em um cenário ainda desigual, Jon defende a arte como possibilidade de existir e resistir. Sua fotografia não busca o consenso, mas o impacto: o olhar que provoca, o retrato que desafia, a imagem que faz lembrar.
📸 Conheça mais do trabalho de Jon Johnson no Instagram: @oxe_jon
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