Filósofo, docente da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Doutor em Ensino, Filosofia e História das Ciências (UFBA-UEFS), Pós-Doutor em Educação (UEFS) e artista visual, o baiano Otun Elebogi (Kleyson Rosário Assis) define-se como um descendente de africanos nascido no Brasil. Recusando a ideia tradicional do fotógrafo enquanto mero capturador de superfícies, Elebogi entende sua prática como a de um “sampler imagético”, onde a imagem se fricciona com a escultura, a filosofia e os sentidos. Com uma produção enraizada na tradição afro diaspórica, no culto aos ancestrais e no pensamento afrofuturista, o artista tensiona a lógica ocidental para propor uma fotografia que não representa o sagrado, mas encarna a própria presença viva da ancestralidade.

“Muitas vezes mesclo aspectos da tradição com tecnologias contemporâneas e ancestrais. Fricções afrofuturistas é uma maneira de dizer que a fotografia a qual estou me propondo pesquisar e elaborar não passa pelo conceito clássico de representação”, diz Kleyson.


Para ele, a imagem não será compreendida enquanto pensarmos na lógica dualista do sujeito/objeto: “Penso que será melhor compreendida se partimos do ponto de vista da ancestralidade envolta na tradição africana-brasileira”.


Otun Elebogi traz fotografias carregadas de seus pensamentos, produzindo uma fotografia livre das amarras coloniais.
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